sábado, 17 de abril de 2010
Informações importanttes
Recursos disponíveis para escolas rurais
Termina no dia 31 o prazo para as prefeituras pedirem financiamento destinado à construção de escolas na área rural. O Ministério da Educação liberou R$ 200 milhões para a construção de 229 escolas. Para pedir os recursos, os municípios devem responder ao ofício circular enviado às secretarias municipais de Educação em 25 de março.
A construção de escolas para os alunos do campo é uma recomendação do Conselho Nacional de Educação (CNE) para elevar a qualidade do ensino. Levantamento feito pelo MEC demonstra que grande parte dos municípios que apresentaram baixos índices de qualidade da educação tem muitos alunos na área rural. É o caso de Assunção do Piauí, onde não há nenhuma escola construída na zona rural. Lá, os estudantes que moram no campo precisam viajar até a sede do município para assistir às aulas. Como a maior parte precisa ajudar a família na lavoura de feijão para garantir a subsistência, os estudos acabam ficando de lado. Com esse quadro, Assunção do Piauí é um dos 1.242 municípios com mais baixo índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) do país.
Há municípios prioritários para o atendimento do MEC, mas todos os prefeitos podem pedir o financiamento. É necessário, entretanto, apresentar a documentação exigida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), como a comprovação de domínio dos terrenos nos quais serão construídas as escolas.
Diagnóstico — A estratégia do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) para elevar a qualidade da educação nessas áreas é estabelecer contato com os gestores locais e traçar um diagnóstico da educação na região. A prefeita de Assunção do Piauí, Maria Batista de Moura, por exemplo, esteve em Brasília na última segunda-feira, 19, para o encontro que comemorou o primeiro ano do PDE. Maria elaborou o plano de ações articuladas (PAR) do município e pediu a construção de três escolas. “Lá não existe outra fonte de renda senão a lavoura do feijão, e as famílias se unem para plantar”, explicou.
Está comprovado que a viagem dos alunos da área rural até as escolas mais próximas é tão cansativa que praticamente impossibilita o aprendizado. Além disso, os custos do transporte escolar muitas vezes superam os gastos de manutenção de pequenas escolas.
Como a orientação para a construção de escolas rurais partiu de entidades federais, o MEC decidiu liberar recursos financeiros e também oferecer apoio técnico. O ofício circular enviado às prefeituras contém orientações sobre a planta das escolas, que devem ter de quatro a seis salas de aula.
Ana Guimarães
Palavras-chave: mec, notícias, jonalismo, matérias
Termina no dia 31 o prazo para as prefeituras pedirem financiamento destinado à construção de escolas na área rural. O Ministério da Educação liberou R$ 200 milhões para a construção de 229 escolas. Para pedir os recursos, os municípios devem responder ao ofício circular enviado às secretarias municipais de Educação em 25 de março.
A construção de escolas para os alunos do campo é uma recomendação do Conselho Nacional de Educação (CNE) para elevar a qualidade do ensino. Levantamento feito pelo MEC demonstra que grande parte dos municípios que apresentaram baixos índices de qualidade da educação tem muitos alunos na área rural. É o caso de Assunção do Piauí, onde não há nenhuma escola construída na zona rural. Lá, os estudantes que moram no campo precisam viajar até a sede do município para assistir às aulas. Como a maior parte precisa ajudar a família na lavoura de feijão para garantir a subsistência, os estudos acabam ficando de lado. Com esse quadro, Assunção do Piauí é um dos 1.242 municípios com mais baixo índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) do país.
Há municípios prioritários para o atendimento do MEC, mas todos os prefeitos podem pedir o financiamento. É necessário, entretanto, apresentar a documentação exigida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), como a comprovação de domínio dos terrenos nos quais serão construídas as escolas.
Diagnóstico — A estratégia do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) para elevar a qualidade da educação nessas áreas é estabelecer contato com os gestores locais e traçar um diagnóstico da educação na região. A prefeita de Assunção do Piauí, Maria Batista de Moura, por exemplo, esteve em Brasília na última segunda-feira, 19, para o encontro que comemorou o primeiro ano do PDE. Maria elaborou o plano de ações articuladas (PAR) do município e pediu a construção de três escolas. “Lá não existe outra fonte de renda senão a lavoura do feijão, e as famílias se unem para plantar”, explicou.
Está comprovado que a viagem dos alunos da área rural até as escolas mais próximas é tão cansativa que praticamente impossibilita o aprendizado. Além disso, os custos do transporte escolar muitas vezes superam os gastos de manutenção de pequenas escolas.
Como a orientação para a construção de escolas rurais partiu de entidades federais, o MEC decidiu liberar recursos financeiros e também oferecer apoio técnico. O ofício circular enviado às prefeituras contém orientações sobre a planta das escolas, que devem ter de quatro a seis salas de aula.
Ana Guimarães
Palavras-chave: mec, notícias, jonalismo, matérias
Mais informação
Escola de Governo
Secretária apresenta avanços na educação rural no Paraná - 06/04/2010 16:30
O trabalho iniciado em 2003 pelo Governo do Paraná levou melhorias às escolas rurais que beneficiaram milhares de estudantes, disse nesta terça-feira (6) a secretária da Educação, Yvelise Arco-Verde. Ela apresentou na reunião semanal da Escola de Governo, em Curitiba, os avanços nas políticas públicas para a educação de alunos que vivem no campo. Atualmente, a rede estadual de ensino tem 49,8 mil estudantes matriculados em 423 escolas rurais, que incluem unidades em ilhas, acampamentos, quilombos e itinerantes.
“Eu sei das dificuldades que quem vive no campo enfrenta para estudar. Sei o que é entrar numa escola aos nove anos e depois fazer o segundo grau 500 quilômetros longe de casa, porque não tinha escola perto”, lembrou o governador Orlando Pessuti. “Por isso, eu valorizo ações que promovem a inclusão de negros, índios, trabalhadores rurais, acampados, assentados, ciganos. Todos têm direito à educação”, enfatizou.
Yvelise lembrou que as dificuldades que o governador enfrentou fazem parte da história de vida de milhares de brasileiros. “O êxodo rural tirou de muitos jovens do campo a possibilidade de estudar. No Paraná, investimos numa educação que promova a cidadania e proporcione ao estudante o desenvolvimento de sua capacidade crítica”, disse.
O Governo do Paraná assumiu a educação rural como prioridade, permitindo que costumes e saberes locais se agreguem à formação oferecida ao estudante. “Elaboramos materiais pedagógicos específicos, com a colaboração dos professores, com propostas específicas para a educação no campo, sua realidade, cultura e tradição”, falou a secretária.
Nos últimos anos, a Secretaria da Educação criou escolas itinerantes, que acompanham o deslocamento de famílias sem-terra, garantindo a educação de crianças, jovens e adultos. Outro exemplo é o aumento de escolas rurais estaduais. “Houve um crescimento de 33% no número de escolas entre o ano de 2000 e 2008”, disse Yvelise.
No ensino médio, a mudança é ainda mais significativa, com um aumento de 420% no número de escolas rurais estaduais. “Em 2000, eram 30 escolas rurais. Em 2008, passamos a 156 escolas rurais de ensino médio”, informou Yvelise. “Passamos de 3,3 mil para 15,3 mil alunos matriculados no ensino médio em escolas rurais neste período.”
Yvelise apresentou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE em 2007. “O maior problema do País é a baixa e desigual escolarização dos brasileiros”, argumentou. Os dados revelam que ainda há 14 milhões de analfabetos no Brasil, principalmente na área rural.
As desigualdades na educação dos brasileiros são maiores quando se compara o nível de escolaridade dos estudantes do campo com os da cidade. Na área rural, 23% das escolas não têm luz elétrica, 75% não têm biblioteca, 98% não têm laboratório de ciências e 90% não têm acesso a internet. “No Paraná, 100% das escolas têm acesso a internet e laboratório”, afirmou a secretária.
A pesquisa revela ainda que apenas 33% dos alunos do campo conseguem terminar o ensino médio, comparando com 54% da área urbana. Sobre o baixo nível de escolaridade da população do campo, os dados mostram que no campo a média brasileira é de quatro anos de estudo, enquanto na zona urbana é de sete anos.
Secretária apresenta avanços na educação rural no Paraná - 06/04/2010 16:30
O trabalho iniciado em 2003 pelo Governo do Paraná levou melhorias às escolas rurais que beneficiaram milhares de estudantes, disse nesta terça-feira (6) a secretária da Educação, Yvelise Arco-Verde. Ela apresentou na reunião semanal da Escola de Governo, em Curitiba, os avanços nas políticas públicas para a educação de alunos que vivem no campo. Atualmente, a rede estadual de ensino tem 49,8 mil estudantes matriculados em 423 escolas rurais, que incluem unidades em ilhas, acampamentos, quilombos e itinerantes.
“Eu sei das dificuldades que quem vive no campo enfrenta para estudar. Sei o que é entrar numa escola aos nove anos e depois fazer o segundo grau 500 quilômetros longe de casa, porque não tinha escola perto”, lembrou o governador Orlando Pessuti. “Por isso, eu valorizo ações que promovem a inclusão de negros, índios, trabalhadores rurais, acampados, assentados, ciganos. Todos têm direito à educação”, enfatizou.
Yvelise lembrou que as dificuldades que o governador enfrentou fazem parte da história de vida de milhares de brasileiros. “O êxodo rural tirou de muitos jovens do campo a possibilidade de estudar. No Paraná, investimos numa educação que promova a cidadania e proporcione ao estudante o desenvolvimento de sua capacidade crítica”, disse.
O Governo do Paraná assumiu a educação rural como prioridade, permitindo que costumes e saberes locais se agreguem à formação oferecida ao estudante. “Elaboramos materiais pedagógicos específicos, com a colaboração dos professores, com propostas específicas para a educação no campo, sua realidade, cultura e tradição”, falou a secretária.
Nos últimos anos, a Secretaria da Educação criou escolas itinerantes, que acompanham o deslocamento de famílias sem-terra, garantindo a educação de crianças, jovens e adultos. Outro exemplo é o aumento de escolas rurais estaduais. “Houve um crescimento de 33% no número de escolas entre o ano de 2000 e 2008”, disse Yvelise.
No ensino médio, a mudança é ainda mais significativa, com um aumento de 420% no número de escolas rurais estaduais. “Em 2000, eram 30 escolas rurais. Em 2008, passamos a 156 escolas rurais de ensino médio”, informou Yvelise. “Passamos de 3,3 mil para 15,3 mil alunos matriculados no ensino médio em escolas rurais neste período.”
Yvelise apresentou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE em 2007. “O maior problema do País é a baixa e desigual escolarização dos brasileiros”, argumentou. Os dados revelam que ainda há 14 milhões de analfabetos no Brasil, principalmente na área rural.
As desigualdades na educação dos brasileiros são maiores quando se compara o nível de escolaridade dos estudantes do campo com os da cidade. Na área rural, 23% das escolas não têm luz elétrica, 75% não têm biblioteca, 98% não têm laboratório de ciências e 90% não têm acesso a internet. “No Paraná, 100% das escolas têm acesso a internet e laboratório”, afirmou a secretária.
A pesquisa revela ainda que apenas 33% dos alunos do campo conseguem terminar o ensino médio, comparando com 54% da área urbana. Sobre o baixo nível de escolaridade da população do campo, os dados mostram que no campo a média brasileira é de quatro anos de estudo, enquanto na zona urbana é de sete anos.
Educação Rural - Um discussão necessária
EDUCAçãO RURAL: UM DEBATE NECESSÁRIO
Considerando os altos índices do êxodo da juventude camponesa nas últimas décadas e entendendo a educação como prática social e histórica, repensar a formação de jovens rurais é uma necessidade para todos que estão comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável. A sobrevivência das unidades de produção familiar está relacionada também à fixação da juventude no campo, tendo em vista que os filhos seriam os responsáveis em dar continuidade às atividades agropecuárias da família. Isto nos leva a refletir sobre a relação teoria e prática, educação e trabalho e, ao mesmo tempo, resgatar o significado que tem o trabalho nas condições de vida de jovens rurais.
Discutir a realidade da juventude rural hoje, implica um olhar mais atento às suas lutas, sonhos e angústias. Significa pensar nos problemas e nas perspectivas possíveis para essa parcela de jovens que se vê na fronteira entre manter-se no campo ou migrar para os centros urbanos à procura de melhores condições de vida. No entanto, se ficar no campo significa encarar uma dura realidade de privações e de falta de perspectivas, migrar para as cidades traz outras sérias conseqüências como enfrentar o crescente desemprego, a pobreza e a violência. Há ainda que se levar em conta o despreparo das jovens e dos jovens rurais, em termos profissionais, para competir no restrito mercado de trabalho urbano.
A herança profissional exerce papel fundamental na formação de jovens rurais, cuja identidade se constrói com base neste “saber profissional”, enraizado na tradição familiar. Desta forma, a atividade agrícola permite que os jovens e as jovens rurais construam um saber que, fundamentado na atividade prática produtiva da família, se transforma em saber científico à medida que, na agricultura familiar, faz-se necessário maximizar a utilização dos recursos disponíveis na propriedade de modo a garantir a reprodução da unidade camponesa. Isso ocorre através de estratégias variadas que incluem desde o aproveitamento dos excedentes até a busca de melhores índices de produtividade. Para tal, os jovens e as jovens rurais buscam também os meios intelectuais presentes tanto no conhecimento recebido dos pais, principalmente os relativos à natureza e sua interferência no trabalho da terra, quanto novos conhecimentos adquiridos em outros espaços educativos, formais ou informais.
Portanto, não se pode alegar que o saber camponês seja um saber eminentemente prático, uma vez que abrange conhecimentos de geografia (clima, nuvens, ventos, etc.); físicos (topografia, solos, água, etc.), aspectos referentes à vegetação; aos animais, fungos, além de questões relativas ao mercado, políticas agrícolas e aproveitamento artesanal da produção excedente. Todo este corpo de saberes vai sendo aos poucos ampliado com os novos saberes adquiridos em palestras, reuniões, cursos e, no caso dos jovens, também na escola, mesmo que esta não direcione seus conteúdos à realidade rural, os conteúdos gerais são significativos para a elaboração de uma visão ampla do mundo local e da realidade global.
Concluiu-se então que a vivência no campo permite às jovens e aos jovens desenvolver um saber próprio, fruto principalmente de suas experiências de vida e trabalho, mas que também se mescla com a educação recebida na escola e outras instâncias (Igreja, palestras diversas, associações de agricultores, televisão), o que demonstra a existência de um saber heterogêneo que, apesar de estreitamente vinculado à vida prática, permite a construção de sua identidade cultural e social. Essa consciência de que existe uma realidade diferente da rural, mas que interfere nas suas condições de existência, demonstram que a educação, em todas as instâncias, propicia à juventude uma visão mais abrangente do mundo como um todo.
Observa-se que os jovens e as jovens vêm ampliando sua visão de realidade e perspectivas através de um conhecimento teórico vinculado à prática rural e que, de certa forma, começam a questionar os limites da tradição no cultivo da terra. Esta reflexão desenvolve sua capacidade de avaliar desde questões relativas ao mercado para seus produtos até políticas agrícolas e as técnicas de cultivo desenvolvidas pelos pais. Nesse processo, os jovens e as jovens rurais refletem a interferência e importância do saber científico no seu cotidiano, evidenciando que seu conhecimento prático busca fundamento nas pesquisas mais atualizadas em relação ao trabalho no campo.
A Embrapa Pantanal, reconhecendo o protagonismo da juventude no processo de desenvolvimento sustentável da região, reforça o entendimento de que o elo teoria-prática, educação-trabalho é fundamental na busca de alternativas para a melhoria das condições de vida da população rural.
Repensar, então, o espaço ocupado pelo trabalho no processo de elaboração do conhecimento é fundamental, tendo em vista que, ao produzir as condições materiais de sua existência, o ser humano produz também um conjunto de idéias e representações que expressam um saber e uma consciência de sua situação histórica. Neste sentido, a pesquisa agropecuária comprometida com a sustentabilidade dos espaços rurais pode tornar-se uma ponte entre o conhecimento operativo e o conhecimento científico, de forma que à experiência cotidiana das jovens e dos jovens rurais se agreguem as conquistas da ciência, viabilizando a construção de um novo espaço rural no qual a juventude possa desenvolver plenamente todo seu potencial.
Considerando os altos índices do êxodo da juventude camponesa nas últimas décadas e entendendo a educação como prática social e histórica, repensar a formação de jovens rurais é uma necessidade para todos que estão comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável. A sobrevivência das unidades de produção familiar está relacionada também à fixação da juventude no campo, tendo em vista que os filhos seriam os responsáveis em dar continuidade às atividades agropecuárias da família. Isto nos leva a refletir sobre a relação teoria e prática, educação e trabalho e, ao mesmo tempo, resgatar o significado que tem o trabalho nas condições de vida de jovens rurais.
Discutir a realidade da juventude rural hoje, implica um olhar mais atento às suas lutas, sonhos e angústias. Significa pensar nos problemas e nas perspectivas possíveis para essa parcela de jovens que se vê na fronteira entre manter-se no campo ou migrar para os centros urbanos à procura de melhores condições de vida. No entanto, se ficar no campo significa encarar uma dura realidade de privações e de falta de perspectivas, migrar para as cidades traz outras sérias conseqüências como enfrentar o crescente desemprego, a pobreza e a violência. Há ainda que se levar em conta o despreparo das jovens e dos jovens rurais, em termos profissionais, para competir no restrito mercado de trabalho urbano.
A herança profissional exerce papel fundamental na formação de jovens rurais, cuja identidade se constrói com base neste “saber profissional”, enraizado na tradição familiar. Desta forma, a atividade agrícola permite que os jovens e as jovens rurais construam um saber que, fundamentado na atividade prática produtiva da família, se transforma em saber científico à medida que, na agricultura familiar, faz-se necessário maximizar a utilização dos recursos disponíveis na propriedade de modo a garantir a reprodução da unidade camponesa. Isso ocorre através de estratégias variadas que incluem desde o aproveitamento dos excedentes até a busca de melhores índices de produtividade. Para tal, os jovens e as jovens rurais buscam também os meios intelectuais presentes tanto no conhecimento recebido dos pais, principalmente os relativos à natureza e sua interferência no trabalho da terra, quanto novos conhecimentos adquiridos em outros espaços educativos, formais ou informais.
Portanto, não se pode alegar que o saber camponês seja um saber eminentemente prático, uma vez que abrange conhecimentos de geografia (clima, nuvens, ventos, etc.); físicos (topografia, solos, água, etc.), aspectos referentes à vegetação; aos animais, fungos, além de questões relativas ao mercado, políticas agrícolas e aproveitamento artesanal da produção excedente. Todo este corpo de saberes vai sendo aos poucos ampliado com os novos saberes adquiridos em palestras, reuniões, cursos e, no caso dos jovens, também na escola, mesmo que esta não direcione seus conteúdos à realidade rural, os conteúdos gerais são significativos para a elaboração de uma visão ampla do mundo local e da realidade global.
Concluiu-se então que a vivência no campo permite às jovens e aos jovens desenvolver um saber próprio, fruto principalmente de suas experiências de vida e trabalho, mas que também se mescla com a educação recebida na escola e outras instâncias (Igreja, palestras diversas, associações de agricultores, televisão), o que demonstra a existência de um saber heterogêneo que, apesar de estreitamente vinculado à vida prática, permite a construção de sua identidade cultural e social. Essa consciência de que existe uma realidade diferente da rural, mas que interfere nas suas condições de existência, demonstram que a educação, em todas as instâncias, propicia à juventude uma visão mais abrangente do mundo como um todo.
Observa-se que os jovens e as jovens vêm ampliando sua visão de realidade e perspectivas através de um conhecimento teórico vinculado à prática rural e que, de certa forma, começam a questionar os limites da tradição no cultivo da terra. Esta reflexão desenvolve sua capacidade de avaliar desde questões relativas ao mercado para seus produtos até políticas agrícolas e as técnicas de cultivo desenvolvidas pelos pais. Nesse processo, os jovens e as jovens rurais refletem a interferência e importância do saber científico no seu cotidiano, evidenciando que seu conhecimento prático busca fundamento nas pesquisas mais atualizadas em relação ao trabalho no campo.
A Embrapa Pantanal, reconhecendo o protagonismo da juventude no processo de desenvolvimento sustentável da região, reforça o entendimento de que o elo teoria-prática, educação-trabalho é fundamental na busca de alternativas para a melhoria das condições de vida da população rural.
Repensar, então, o espaço ocupado pelo trabalho no processo de elaboração do conhecimento é fundamental, tendo em vista que, ao produzir as condições materiais de sua existência, o ser humano produz também um conjunto de idéias e representações que expressam um saber e uma consciência de sua situação histórica. Neste sentido, a pesquisa agropecuária comprometida com a sustentabilidade dos espaços rurais pode tornar-se uma ponte entre o conhecimento operativo e o conhecimento científico, de forma que à experiência cotidiana das jovens e dos jovens rurais se agreguem as conquistas da ciência, viabilizando a construção de um novo espaço rural no qual a juventude possa desenvolver plenamente todo seu potencial.
segunda-feira, 15 de março de 2010
VOZES
Como fantoches o povo andava
se não fossem bravos os comunicadores
como cegos seríamos guiados
se nos faltassem as suas informações
como pálidos e enverdecidos cordões sociais
seriam as sociedades
se não soassem ao ar
as vozes fortes dos homens do povo
devem ser consideradas essas vozes
como sons que embalam a vida
devem ser guardadas e entoadas
pelos próprios homens que as espalham
devem ser respeitadas quando adequadas
devem ser caladas quando corrompidas
admiradas quando verdadeiras
e checadas quando duvidadas
Mas, principalmente...devem ser valorizadas,
pois emergem do meio dos pobres ou dos nobres
e chegam às ouças, às vezes, como a brisa suave
que embala o sono e acorda a noite escura
informam a luz e a escuridão
Mas não separam o homem da profunda emoção.
Mônica Freitas
Como fantoches o povo andava
se não fossem bravos os comunicadores
como cegos seríamos guiados
se nos faltassem as suas informações
como pálidos e enverdecidos cordões sociais
seriam as sociedades
se não soassem ao ar
as vozes fortes dos homens do povo
devem ser consideradas essas vozes
como sons que embalam a vida
devem ser guardadas e entoadas
pelos próprios homens que as espalham
devem ser respeitadas quando adequadas
devem ser caladas quando corrompidas
admiradas quando verdadeiras
e checadas quando duvidadas
Mas, principalmente...devem ser valorizadas,
pois emergem do meio dos pobres ou dos nobres
e chegam às ouças, às vezes, como a brisa suave
que embala o sono e acorda a noite escura
informam a luz e a escuridão
Mas não separam o homem da profunda emoção.
Mônica Freitas
Classificados da educaçãoPrecisa-se de mentesCorações e corpos livresMãos ágeis e guerreiras.
Mentes dispostas a viajarEm um mundo cheio de desventurasDe crianças e adolescentesCondenados a duras agruras.
Corações sensibilizadosCom este universo decadenteDesses que não são letradoE tornam-se a letra indiferentes.
Corpos em trânsito crescenteEm busca desse alunadoPara que felizes no presentePela letra sejam alcançados.
Mãos que transformem essa dorDe não saber ler e se encantarSão as mãos do educadorQue se doa para ensinar.
Precisa-se de educadoresComprometidos com o ato de educarTratar na escola onde você trabalhaOu comece em qualquer lugar.
AUTORA: Professora da Educação do Campo da SEMED-Floriano-Piaui :Josenilda Pereira de Almeida
Mentes dispostas a viajarEm um mundo cheio de desventurasDe crianças e adolescentesCondenados a duras agruras.
Corações sensibilizadosCom este universo decadenteDesses que não são letradoE tornam-se a letra indiferentes.
Corpos em trânsito crescenteEm busca desse alunadoPara que felizes no presentePela letra sejam alcançados.
Mãos que transformem essa dorDe não saber ler e se encantarSão as mãos do educadorQue se doa para ensinar.
Precisa-se de educadoresComprometidos com o ato de educarTratar na escola onde você trabalhaOu comece em qualquer lugar.
AUTORA: Professora da Educação do Campo da SEMED-Floriano-Piaui :Josenilda Pereira de Almeida
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